Pelé do futebol de 5, Candeense marca golaço e Brasil é tetra

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Do lado de fora da final do futebol de 5 (para cegos) nos Jogos Parapan-Americanos de Lime-2019, um voluntário peruano de 19 anos tinha no nome de batismo uma referência de uma das seleções finalistas. Chamava-se Maradona. O detalhe era que dentro de campo, na equipe adversária, havia um jogador com apelido de Rei no país que também disputava o título. Conhecido como Pelé do futebol de 5, Jefinho – do município de Candeias -, fez a balança pesar para o lado brasileiro com um golaço no ângulo direito que abriu a vitória brasileira por 2 x 0. O resultado garantiu o tetracampeonato brasileiro na competição e, de quebra, a 100ª medalha de ouro do Brasil no Parapan de Lima.
“Eu fico muito lisonjeado de ser comparado a um ícone do futebol, o atleta do século 20, isso mostra que estou fazendo a coisa certa e que os resultados estão aparecendo”, comemorou Jefinho. Uma tendinite no joelho direito deixou a conquista do craque brasileiro ainda mais especial. Fora dos gramados por quatro meses, inclusive da Copa América, disputada em junho, Jefinho voltou à Seleção Brasileira em grande estilo.
Em Lima, Brasil e Argentina disputaram a 22ª final entre os dois países do futebol de 5 (para cegos), nesta sexta-feira (30/8), aos pés do Cristo Redentor — não o do Rio de Janeiro, mas o da favela Vila Maria Del Triunfo, localizada na região metropolitana de Lima. Pela quarta vez, o clássico valeu o ouro dos Jogos Parapan-Americanos, com desfecho igual em todos: título brasileiro. Além da permanência da hegemonia verde-amarela na modalidade diante do arquirrival, a vitória por 2 x 0 garantiu a 100ª medalha de ouro do Brasil no Parapan de Lima.

Equilíbrio

Apesar da freguesia argentina, o confronto foi equilibrado, com chances de gol criadas para ambos os lados. As duas seleções já haviam se enfrentado na primeira fase da competição em um duelo que terminou sem alterações no placar. No reencontro valendo o ouro, dois baianos trataram de dar mais emoção ao clássico. Na quadra abaixo de uma estatua com dimensões bem menores do que o Cristo carioca, Jefinho, de Candeias, na Bahia, abriu o placar ainda no primeiro tempo, com um chute no ângulo direito do gol, após conduzir a bola — e a marcação — de um lado para o outro.
O golaço do ala ofensivo deixou o quarto ouro parapan-americano do Brasil e dele próprio bem encaminhado. Eleito melhor do mundo em 2010, perdeu totalmente a visão em decorrência de um glaucoma desenvolvido aos 7 anos. Desde os 12 anos com uma bola de guizo nos pés, Jefinho esteve com a Seleção Brasileira de futebol de cinco nos principais títulos da modalidade: tricampeão dos Jogos Paralímpicos (Rio-2016, Londres-2012 e Pequim-2008), tricampeão Mundial (Madri-2018, Japão-2014 e Inglaterra-2010).
Atrás no placar, a Argentina se jogou para o ataque quando o jogo pegava fogo, em meio a muitas faltas. Restando 5 minutos para zerar o cronômetro da partida, os argentinos extrapolaram o limite de cinco faltas, dando ao Brasil a oportunidade do tiro livre de oito metros. Coube ao também baiano, mas de Ituberá, Cássio fechar a conta para poder comemorar com gritos de “tetracampeão”.
Fonte: Super Esporte.
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