O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), criticou duramente o Governo Federal e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alegando que o estado está “sozinho” no combate ao crime organizado.
A declaração foi feita em meio à megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, que mobilizou 2.500 agentes e deixou ao menos 20 mortos (incluindo dois policiais civis) e 81 presos até o início da tarde desta terça-feira (28).
Cláudio Castro afirmou que a megaoperação desta terça-feira foi realizada apenas com as forças de segurança estaduais porque o governo federal negou três pedidos sucessivos de apoio.
“Não foram pedidas desta vez [as Forças Armadas] porque já tivemos três negativas, então já entendemos a política de não ceder,” disse Castro em entrevista coletiva.
O governador detalhou as dificuldades em obter auxílio, mesmo para o empréstimo de equipamentos:
“Falaram que tem que ter GLO [Operação de Garantia da Lei e da Ordem], que tem que ter isso, que tem que ter aquilo, que podiam emprestar o blindado, e que depois não podia mais emprestar porque o servidor que opera o blindado é um servidor federal, então tinha que ter GLO, e o presidente já falou que é contra GLO. Cada dia nós temos uma razão, pra não ser mal educado, de não emprestar e de não estar colaborando”, criticou o governador.
Castro disse concordar “integralmente” com a avaliação feita na segunda-feira (27) pela porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Cláudia Moraes, de que o estado, sozinho, não consegue mais enfrentar o poder do tráfico.
“O que a Cláudia quis falar, e eu concordo com a fala dela, é que essa é uma guerra que está passando dos limites de onde o Estado deveria estar sozinho defendendo”, declarou o governador.
Castro argumentou que o combate ao crime organizado no Rio já “extrapolou toda a ideia de segurança pública” prevista na Constituição, citando o grande fluxo de armas provenientes do tráfico internacional e o poder bélico financiado pela lavagem de dinheiro.














