O escândalo envolvendo o Banco Master, que se tornou uma das principais crises financeiras e políticas do país na reta final de 2025, deve se manter em alta ao longo dos próximos meses com o potencial de influenciar as eleições deste ano – especialmente se a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) para investigar o caso for instalada.
Segundo fontes ouvidas pela Gazeta do Povo, as inúmeras conexões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com políticos e representantes do Judiciário podem prejudicar ou até mesmo comprometer candidaturas.
Em paralelo, o desgaste do Supremo Tribunal Federal (STF) nas últimas semanas devido à conduta de ministros da Corte no caso pode prejudicar campanhas de aliados próximos a ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
O tamanho da crise em Brasília
Em poucas semanas, o escândalo do Banco Master gerou forte desgaste à credibilidade do STF e do Tribunal de Contas da União (TCU), enquanto fortaleceu o Banco Central (BC) e gerou apreensão em Brasília, sobretudo entre políticos ligados ao Centrão e ao governo.
Uma investigação da Polícia Federal apontou que representantes do banco teriam participado de um esquema de fraude estimado em mais de R$ 12 bilhões envolvendo a venda de títulos e carteiras de crédito consignado sem lastro para o Banco de Brasília (BRB). Na prática, o Master passaria ativos inexistentes ou com lastro insuficiente para um banco público, fazendo com que o prejuízo fosse absorvido principalmente pela população do Distrito Federal.
A transação, que ocorreu graças a um intenso lobby político, foi aprovada internamente, pelo BRB, e também pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No entanto, em 18 de novembro, o Banco Central vetou a compra e decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por grave crise de liquidez e riscos sistêmicos.
No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e prendeu Vorcaro e outros executivos do banco, além de apreender documentos relacionados ao esquema de fraude.
A prisão, no entanto, durou apenas 11 dias. Em paralelo, a defesa de Vorcaro conseguiu remeter a investigação ao STF, com o ministro Dias Toffoli ganhando a relatoria do caso. O ministro centralizou o caso no Supremo, proibiu que a Justiça Federal de Brasília conduzisse atos independentes e tornou o processo sigiloso.
Antes de impor o sigilo, Toffoli viajou para Lima, no Peru, no avião de um empresário e na companhia do advogado de um dos presos por envolvimento no escândalo.
Dois dias depois de o episódio se tornar público, provas apreendidas pela Polícia Federal revelaram que o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes tinha um contrato com o Banco Master que previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos. Os valores do contrato vêm sendo apontados por grandes escritórios de advocacia como muito acima das médias de mercado, mesmo para escritórios de elite.
















