Os gastos com diárias do gabinete do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do vice-governador Geraldo Júnior (MDB) atingiram a elevada marca de R$ 1 milhão no mês passado. O número já se aproxima do recorde de R$ 1,24 milhão de gastos por ambos os gabinetes em 2024, maior valor aplicado em diárias em apenas um ano no governo, conforme dados da própria Transparência do governo. O número de 2025, só para se ter uma ideia, é mais do que o dobro em comparação com 2022.
De maestro a ‘rei do baratino’
O humor da classe política parece estar mudando com o secretário de Relações Institucionais do governo Jerônimo, Adolpho Loyola (PT). Figura que antes era celebrada e já chegou até a ser chamada de maestro da articulação política, ele agora vê a sinfonia desafinar. E não é para menos, muitos prefeitos e lideranças começam a dar sinais de inquietude ao ver que as promessas e convênios amarrados na sala do mister simpatia simplesmente não saem do papel. Aqueles que antes elogiavam a acolhida, agora cobram resultados concretos. Entre os mais chateados com o descompasso da orquestra, já circula até a resenha de que o maestro virou o “rei do baratino”.
O voto que ninguém segura
Pesquisas encomendadas por prefeitos aliados acenderam o sinal amarelo no núcleo político do governador Jerônimo Rodrigues. Os levantamentos internos mostram que, em diversas cidades onde o petista venceu com folga em 2022, a vantagem sobre ACM Neto (União Brasil) diminuiu consideravelmente. Mais preocupante ainda: o poder de transferência de votos dos prefeitos, medido pela pergunta sobre votar ou não no candidato apoiado por eles, caiu de forma acentuada. Em municípios onde o governador tem presença constante e prefeitos bem avaliados, o eleitorado começa a mostrar independência. A leitura entre aliados é dura: a política de “prefeito como fiador de voto” parece estar presa numa bolha, e o governo começa a perceber que, nas urnas, ninguém segura o voto do povo.
O alvo
O intenso debate nacional em torno da segurança pública após a mega operação contra uma facção criminosa realizada no Rio de Janeiro tem causado apreensão no governo Jerônimo e em lideranças petistas do estado. Desde que o tema tomou conta do debate nacional, a situação da Bahia está recorrentemente na pauta da imprensa e até em discursos políticos, que usam o exemplo do estado como negativo. Os próprios petistas admitem que a situação gera desgaste, visto que a Bahia é, ano após ano, o estado mais violento do Brasil, superando inclusive o Rio de Janeiro. Governistas que antes diziam que a violência não tirava voto, agora já colocam as barbas de molho.
Pérola
Nesse tema da segurança pública, Jerônimo decidiu nesta semana participar do chamado “Dia D de devolução de celulares recuperados” pela Polícia. Um observador da política baiana não perdeu a oportunidade: “também pudera, não tem o que entregar, vai devolver celular”. Outro, ainda mais irônico, lembrou: “era bom alguém dizer ao governador que, melhor do que devolver, seria impedir que os celulares fossem roubados”.














