Principal beneficiado na conclusão do processo de fusão entre o DEM e o PTB, o prefeito de Salvador, ACM Neto, aguarda com ansiedade os novos desdobramentos após retomada dos diálogos entre os caciques de ambos os partidos.
Apesar de negar à imprensa em todo evento público que vai, a cabeça do gestor soteropolitano está voltada ainda mais para uma possível concretização da união partidária. A fusão garantirá ao democrata a sua sobrevivência política, sem que precise bater na porta de nenhum outro partido.
Daí a necessidade de ACM Neto ir para um partido maior, desde que a liderança dele fosse hegemônica.
Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Joviniano Neto, em entrevista à Tribuna, o esforço de ACM Neto pela sobrevivência política visando futuro estaria sendo tratado com antecedência e, inevitavelmente, além do desgaste, há um enfraquecimento do cacife político que o atual prefeito ostenta. “Se a fusão se concretizar, ele será hegemônico. Caso contrário, os partidos farão as negociações do jeito deles”, avaliou.
Para o especialista, a mudança de partido seria importante, mas não determinante para as eleições municipais, onde o prefeito tentará a reeleição. “Não precisaria tanto disso para 2016. Só se existissem informações, como pesquisas qualitativas, que podem estar mostrando um cenário diferente. Até o momento não há nenhuma outra candidatura competitiva [na capital baiana]. Seria mais sensato se posicionar em um partido grande para 2018 do que para 2016. Neste caso, claro que é melhor estar em um porta-aviões do que numa canoa”, opinou Joviniano.
No início da semana, ACM Neto foi ao manda-chuva do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson, que mantém o controle da sigla através da sua filha, a deputada federal Cristiane Brasil, para discutir termos. Das conversas conseguiu retomar as negociações. ACM Neto também reforçou seu apoio junto aos democratas que temem um enfraquecimento ainda mais severo que será imposto ao partido com a desfiliação do prefeito da terceira maior capital do Brasil e principal vitrine administrativa do partido, daí a necessidade em ceder alguns pontos do modelo de governança da nova agremiação que desagradaram os petebistas. Os caciques se reúnem na próxima semana e voltarão a discutir os pontos da fusão.
Caso o processo seja sepultado de uma vez, nos bastidores comentasse que o destino de ACM Neto será o PMDB, apesar de uma lista grande de partidos que estariam dispostos a assinar sua ficha de filiação. “Ele precisa de um partido que tenha tempo de televisão, condições de captação de recursos, apesar de ele ter conseguido bons recursos com empresas nas suas campanhas, e a perspectiva de futuro”, disse o professor Joviniano.
Atualmente, com três minutos e quarenta segundos, o PMDB detém o maior tempo de TV e rádio entre os partidos brasileiros, controla a Câmara dos Deputados e o Senado, e tem o vice-presidente da República que é o principal articulador político do governo federal, Michel Temer.
Caso decida torna-se peemedebista, a conta sairá cara: a candidatura a vice-prefeito na sua chapa. Isso porque, caso os soteropolitanos concedam mais um mandato, o passaporte de ACM Neto para a disputa em 2018 contra Rui Costa (PT), inevitavelmente, será carimbado.
Desde que sua aposta no ex-prefeito João Henrique foi completamente desastrosa tanto para o partido quanto para a cidade do Salvador, o PMDB está sedento para administrar a prefeitura da capital baiana. “O mais importante é a sensibilidade do eleitor. [Um partido grande] é útil, mas não é essencial para garantir a reeleição. O PT em Salvador não conseguiu vencer nenhuma eleição”, apontou o especialista.
Fonte: Tribuna da Bahia.














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