Uma logística de expansão gradual e planejada, diferente de grupos armados locais que crescem muitas vezes de maneira mais explosiva e desorganizada. Desta forma, o Primeiro Comando da Capital (PCC) deixou as antigas bases nos presídios, consolidou-se no interior da Bahia e agora avança sobre a Região Metropolitana de Salvador e a capital. Qual o impacto disso? Especialistas apontam para um cenário ainda mais caótico na segurança pública, afinal, o PCC é a maior organização criminosa do Brasil e um dos maiores atores globais do tráfico.
“Esse movimento torna o cenário de violência muito dinâmico e conflituoso, pois as facções estão em constante disputa territoriais. Seja por alianças de grupos nacionais com locais – com as quais se associam ou atuando diretamente – disputando espaço com outras organizações nacionais, a exemplo do Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho (CV)”, comenta o coronel Antônio Jorge, professor de Direito da Estácio-FIB.
Ao que tudo indica, o fenômeno que o especialista em segurança pública aponta já é uma realidade. No dia 14 de setembro deste ano, o empresário Manoel Marcos Soares, de 31 anos, foi executado com mais de 20 tiros, em Candeias (RMS). Ele foi torturado e depois baleado dentro do Condomínio Areias, onde muros e portões têm inúmeras pichações com as iniciais da facção paulistana, o que sugere a autoria do crime. Segundo fontes da polícia, o empresário foi ao local atrás de uma mulher, mas acabou encontrando traficantes, que vasculharam o seu celular e descobriram que ele morava em um bairro dominado pelo Bonde do Maluco (BDM).
Fontes da Polícia Civil informaram à reportagem que o condomínio era território de A Tropa, também chamada de Tropa do A, mas a facção acabou sendo anexada pelo PCC. Esta fusão aconteceu também em Salvador e quase ao mesmo tempo, em abril deste ano, quando os céus da capital baiana foram cobertos por fogos de artifícios, em celebração à mais nova e mortal parceira no cenário da segurança pública do estado.
Em vídeos, que circularam nas redes sociais, traficantes afirmavam que determinados bairros passavam a ter a atuação da organização criminosa. “Sussuarana agora é PCC, viu?” fala um traficante em vídeo. “Baixa da Paz agora é PCC, 1533, viu”, grita outro criminoso enquanto comemora a virada para facção paulista. Além de Sussuarana, a queima de fogos aconteceu nos bairros de São Marcos, Pau da Lima, Canabrava, Brotas e Jardim Cajazeiras.
Neste caso, moradores estão em alerta, por causa deste redesenho do tráfico. Inclusive, em regiões muito próximas, há presença das três maiores facções na capital: São Marcos é majoritariamente PCC, Vila Canária e Canabrava há presença maior do Comando Vermelho (CV), Pau da Lima tem todos, mas a predominância é do BDM.
“Se houver algum tipo de pacto entre essas facções, como já foi tentado, ou se alguma se tornar hegemônica, as mortes devem diminuir, ao mesmo tempo, em que o narcotráfico será potencializado, porque as duas maiores organizações criminosas poderão otimizar a rota do tráfico internacional de drogas e armas, de fornecedores. Caso contrário, assistiremos e conviveremos com mais disputas territoriais e, consequentemente, um aumento dos homicídios”, explica o coronel Antônio Jorge.















