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Bahia lidera ranking nacional de homicídios dolosos em 2025

Segundo dados do Sinesp, 1.018 pessoas foram vítimas de mortes violentas entre janeiro e março deste ano

TIA CÂNDIA Por TIA CÂNDIA
29 de abril de 2025 às 06:42
Bahia lidera ranking nacional de homicídios dolosos em 2025

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Caique Costa, Vitória Gabriele Cruz e Railan Santos esperavam uma pizza quando foram vítimas de um triplo homicídio na Baixa de Quintas, em janeiro deste ano. Os amigos, de 15 e 18 anos, foram alvo de 50 tiros disparados por um grupo de homens armados. À época, a suspeita era de que a execução tivesse sido uma espécie de ‘recado’ por parte de traficantes. Um lastro de violência que se estende ao longo do primeiro trimestre de 2025. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Bahia somou um total de 1.018 homicídios dolosos até março, sendo o estado número 1 em mortes no Brasil neste ano.

Na pesquisa, considera-se como homicídio doloso a morte com indício de crime ou agressão externa, excluindo feminicídios, lesão corporal seguida de morte, latrocínios e mortes culposas. Também entram na classificação mortes violentas em acidentes de trânsito quando há dolo e casos como encontro de cadáveres ou ossadas com sinais de crime ou causas desconhecidas. Na Bahia, homens são a maioria das vítimas, somando 943 mortes, enquanto as mulheres correspondem a 74 casos. Por dia, são cerca de 11 homicídios, sendo a maior parte deles registrada na capital (208 homicídios) e na região metropolitana.

A estatística não é novidade: desde 2015, a Bahia ocupa o primeiro lugar em homicídios dolosos no Brasil, segundo a base de dados do Sinesp. Um cenário que, de acordo com o advogado Wagner Moreira, fundador e coordenador-geral do Ideas Assessoria Popular, reflete um fracasso da gestão dos partidos de centro-esquerda na área da segurança pública.

“A gente vem falando de um fenômeno que é a nordestinização da violência. Um cenário em que, mesmo governos tidos como de esquerda ou centro-esquerda, não conseguem reverter. Muito pelo contrário, assumiram a liderança da violência. Assim, encontramos estados do Nordeste com esse cenário de hiperletalidade”, destaca, ao comparar o segundo e terceiro colocados no ranking de homicídios dolosos em 2025: Pernambuco, com 784 mortes, e Ceará, com 714.

As dificuldades estendem-se ainda à falta de diálogo com setores da sociedade civil, à criminalização dos movimentos sociais e ao fracasso na lógica de controle externo da atividade policial, acrescenta o advogado: “Você vem cada vez mais aumentando, na lógica deles, o combate à criminalidade faccionada só pelo confronto, sem ação de inteligência, sem investir em investigação. Então, todo esse cenário joga para que a Bahia precise, de fato, revisar os rumos da segurança pública.”

O historiador e integrante da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia Dudu Ribeiro aponta a influência do tráfico de drogas no número de homicídios no estado, seja nas disputas territoriais ou nos confrontos com a polícia. Outro fator citado é a política de encarceramento em massa, que fortaleceria a atuação de facções criminosas.

“É importante que a gente perceba que um conjunto muito mais amplo de pessoas é atingido pela violência urbana. Estamos falando de crianças que crescem sem os seus pais assassinados e de mulheres negras que ficam sobrecarregadas em suas tarefas. Estamos falando também de um custo relacionado à convivência cotidiana das periferias do Brasil com o luto, que adoece e impede possibilidades de vida”, explica.

Ribeiro também ressalta a importância de qualificar a produção dos dados de segurança pública a nível nacional, visando a criação de estratégias alinhadas em todo o país. Ainda assim, é importante repensar a lógica atual do combate ao crime, passando a priorizar a proteção das pessoas ao invés da letalidade.

“Não adianta uma estratégia que promova mais guerra. Temos que pensar em um alinhamento nacional na área de segurança pública baseado na proteção da vida e na desorganização dos grupos criminais a partir da inteligência. Isso pode ser feito a partir do investimento em ciência, em tecnologia e no treinamento, além da redução do papel do militarismo na vida dos brasileiros, que é o grande responsável pela manutenção desse aparato de violência”.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) declarou que as ações das Polícias Militar e Civil resultaram em reduções de 12,6% (em Salvador) e de 15,7% (na Região Metropolitana de Salvador) das mortes violentas, entre janeiro e abril de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. No estado, a queda é de 10,4%. Acrescentaram ainda que, nos últimos dois anos, as mortes violentas recuaram 8,2% (em 2024) e 6% (em 2023) na Bahia.

Comparando os primeiros trimestres de 2024 e 2025, a redução no número de homicídios dolosos foi de 118 casos. “Ainda que a gente tenha uma tendência de queda, essa queda não é suficiente, a Bahia permanece no topo do ranking da letalidade”, contesta Moreira.

Entretanto, ele destaca que o estado começa a dar sinais de que reconhece o fracasso da sua política de segurança pública. Moreira aponta como exemplo a troca recente dos postos de comando abaixo do secretário de Segurança, incluindo o comandante-geral da Polícia Militar, o chefe do Corpo de Bombeiros e a delegada-geral da Polícia Civil. Salienta ainda que parte dessas mudanças seguiu pautada pela pressão social após casos de grande repercussão, como a chacina da Gamboa, em 2022, e a morte da líder quilombola Mãe Bernadette, em 2023. “Quando você empresta a biografia a esses dados, percebe a gravidade deles”, conclui.

Informações Correio24horas 

Tags: bahiadestaque principalHomicídios dolososrankingviolência
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