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Caso Pix: Após queda de sigilo, delegado revela ameaça de morte contra vítima e detalha o esquema de desvio de dinheiro

O julgamento está começou nesta quarta-feira e encerra nesta quinta

TIA CÂNDIA Por TIA CÂNDIA
07 de maio de 2026 às 08:38
Caso Pix: Após queda de sigilo, delegado revela ameaça de morte contra vítima e detalha o esquema de desvio de dinheiro

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Seis meses depois do último adiamento, a Justiça baiana deu prosseguimento nesta quarta-feira (6) ao julgamento do “Caso Pix”, envolvendo os jornalistas Marcelo Castro, conhecido como Alô Juca, e o editor Jamerson Oliveira. Nesta terça-feira (5), o Juiz Waldir Viana Ribeiro, da Vara de Organizações Criminosas de Salvador, retirou o sigilo do processo.

Com isso, a imprensa pôde acompanhar nesta quarta-feira (6) a última etapa dos depoimentos das testemunhas. Nesta quinta-feira (7), os réus serão interrogados. Sem o sigilo, agora se sabe que o esquema envolvia não apenas desvios financeiros, mas também um sistema de intimidação que calou vítimas pelo medo.

Vítima ameaçada

O ponto alto dos depoimentos foi a fala do delegado Charles Leão. Elogiado pelo magistrado por sua técnica apurada e ética, ele foi o responsável por presidir o inquérito no âmbito da Polícia Civil. O delegado descreveu o clima que encontrou ao interrogar as vítimas e revelou que o processo guarda um relato de uma pessoa que temia pela própria vida.

“Houve a ocorrência de uma vítima reportar situação de medo, de perigo, de risco… Medo de ser assassinada em nome de Marcelo Castro”, afirmou o delegado durante a oitiva. O relato aponta que o repórter circulava acompanhado de homens armados, o que era interpretado pelas vítimas, pessoas em estado de vulnerabilidade extrema, como uma ameaça direta às suas vidas.

A conexão central do esquema

Durante o depoimento, o delegado Charles Leão descreveu a hierarquia do grupo, colocando o editor Jamerson Oliveira como a peça fundamental para o funcionamento da fraude. Segundo Leão, Jamerson exercia um “protagonismo operacional” sem o qual o desvio não seria possível. “Eu sinto que ele é a função essencial dentro dessa coisa. Sem ele nada aconteceria”, disparou o delegado.

Nessa estrutura, Jamerson contava com o apoio direto do produtor Lucas Costa Santos. Enquanto Jamerson detinha o poder final de dentro da emissora, escolhendo os casos e autorizando qual chave Pix seria estampada na tela, Lucas era o seu braço direito no “trabalho de rua”. Era Lucas quem prospectava as famílias vulneráveis e, simultaneamente, recrutava os “laranjas” que emprestariam as contas bancárias. Já Marcelo Castro, era o rosto que pedia as doações e fazia o apelo aos telespectadores. Juntos, eles formavam o núcleo logístico que permitia que o dinheiro doado pelo público fosse desviado antes de chegar ao destino final.

O rastro do dinheiro

Para o delegado Charles Leão, os extratos bancários são a “prova viva” do crime. A polícia utilizou os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), e a perícia do Laboratório de Lavagem de Dinheiro (LAB) para seguir o rastro dos valores. “O dinheiro vai falar. O extrato bancário fala de forma objetiva, sem influência humana”, pontuou Leão durante o depoimento nesta quarta.

Durante a audiência, a defesa dos acusados tentou desqualificar as provas técnicas e os RIFs apontados por Leão, questionando a origem e a forma como os dados foram processados. No entanto, o delegado reforçou que o rastreamento mostrou que as doações eram pulverizadas em contas de terceiros para ocultar o lucro ilícito.

O Pix de R$ 4 mil

Outro momento importante da oitiva foi o depoimento de um policial militar que atuou em uma ocorrência no Nordeste de Amaralina. Ele queria ajudar uma família através de uma ação social e relatou ao juízo ter recebido um Pix no valor de R$ 4 mil em sua conta pessoal.

Segundo o policial, ele acreditava que o recurso era proveniente da própria emissora para ser repassado à família carente. No entanto, as investigações apontaram que o valor partiu da conta de um dos réus do processo, identificado como Carlos Eduardo do Sacramento Marques. O depoimento reforça a tese de que o grupo utilizava contas intermediárias para mascarar a origem e o destino das doações.

Como funcionava o golpe?

A investigação, reforçada por apurações internas da Record e detalhada nacionalmente, mostra que a engrenagem funcionava de forma organizada. Durante um ano e cinco meses, o grupo teria operado um esquema que explorava a solidariedade do telespectador. Ao todo, as campanhas arrecadaram cerca de R$ 543 mil. Desse montante, R$ 407 mil foram desviados, o que significa que 75% de tudo o que foi doado nunca chegou aos necessitados.

Estratégia da defesa

Nesta quarta-feira, a defesa dos acusados optou por dispensar testemunhas da emissora que trabalhavam na época, como José Eduardo, Pedro Sento Sé e Adelson Carvalho. A estratégia atual dos advogados foca na tentativa de desvincular a imagem dos réus de uma vida de luxo, alegando que o editor vive em um imóvel alugado. O julgamento segue nesta quinta-feira (7) com o interrogatório dos réus.

Relembre o caso

Tudo começou quando a emissora notou inconsistências em doações de alto valor, como a feita pelo jogador Anderson Talisca. Após uma auditoria interna, a Record demitiu Marcelo Castro e Jamerson Oliveira por justa causa. Hoje, os envolvidos respondem judicialmente por apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Ao todo, 12 famílias foram vitimadas diretamente.

Informações BNews

Tags: alô jucaMarcelo CastroPixvitimas
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