A ascensão dos policiais militares como influenciadores digitais tem gerado um intenso debate na Bahia, colocando em xeque os limites da liberdade de expressão individual frente às rígidas normas de disciplina e hierarquia das corporações militares.
Na última semana, o soldado Luan Matos, com cerca de 490 mil seguidores, foi detido administrativamente após ser acusado de apologia à violência em publicações na internet. Lotado na 31ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), ele foi punido por condutas consideradas incompatíveis com a função.
Nos últimos dias, um outro soldado da Polícia Militar bastante conhecido nas redes sociais viralizou nas redes sociais ao defender a atuação de PMs na internet. O Soldado Corrêa, conhecido por seu conteúdo nas redes sociais, argumentou que a democracia exige respeito à liberdade de expressão e que a influência positiva de policiais pode ser benéfica, contrastando-a com conteúdos que, segundo ele, promovem a criminalidade ou a sexualização precoce.
A postura do Soldado Corrêa reflete a visão de muitos policiais que veem nas redes sociais uma ferramenta para humanizar a farda, aproximar a polícia da comunidade e combater narrativas negativas.
A Portaria 015/2022
Contudo, a Polícia Militar da Bahia (PMBA) já havia se antecipado a esse cenário com a publicação da Portaria n.º 015-CG/22, que disciplina o uso de redes sociais por seus membros . O documento estabelece uma série de condutas vedadas, visando preservar a imagem institucional e a disciplina. Entre as proibições, destacam-se:
•Uso do uniforme ou da identidade visual da PMBA de forma a ferir a ética e o decoro da classe.
•Críticas públicas a superiores ou a assuntos atinentes à disciplina militar.
•Expressão de opiniões ou compartilhamento de informações de caráter político-partidário que possam ser confundidas com manifestação institucional.
Por Osvaldo Barreto/PS















