A Polícia Federal (PF) rejeitou pela segunda vez a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e alvo da Operação Compliance Zero. A decisão foi formalizada nesta quinta-feira, 11, e comunicada ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso tramita sob sigilo.
Segundo informações divulgadas pela revista Veja e pela Folha de S.Paulo, os investigadores avaliaram que o empresário não apresentou fatos inéditos capazes de contribuir de forma relevante para o avanço das apurações.
O entendimento repete a conclusão adotada na primeira tentativa de acordo, rejeitada pela PF em maio deste ano.
Apesar da nova negativa, Vorcaro continua negociando um possível acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que também participa das tratativas relacionadas ao caso.
PF vê ausência de informações novas
De acordo com a apuração da Folha, a autoridade policial considerou que os elementos apresentados pelo banqueiro já eram de conhecimento dos investigadores ou haviam sido obtidos por outros meios durante a operação.
A defesa do empresário foi comunicada da decisão na última quarta-feira, 10. Como o processo corre em sigilo, os detalhes da proposta apresentada não foram divulgados.
A rejeição representa mais um obstáculo na tentativa de Vorcaro de firmar um acordo de colaboração capaz de reduzir eventuais sanções penais e ampliar sua estratégia de defesa.
Prisão marcou avanço das investigações
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, durante uma das fases da Operação Compliance Zero. Na ocasião, permaneceu detido na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo antes de ser encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Guarulhos.
Dias depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu habeas corpus ao empresário. A desembargadora Solange Salgado substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
O Ministério Público Federal (MPF) recorreu da decisão, enquanto a defesa buscou levar o caso ao STF. O pedido foi inicialmente analisado pelo ministro Dias Toffoli, que assumiu a relatoria do processo.
Toffoli deixou relatoria após citação em investigação
Toffoli permaneceu à frente do caso entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. A mudança ocorreu após investigadores encontrarem referências ao ministro em mensagens armazenadas no celular de Vorcaro.
Com isso, a relatoria passou para o ministro do STF, André Mendonça, que assumiu a condução do inquérito.
A troca de relator marcou uma nova etapa da investigação, considerada uma das mais sensíveis envolvendo o sistema financeiro e possíveis conexões políticas.
Mendonça determinou nova prisão preventiva
Em março deste ano, André Mendonça autorizou uma segunda prisão preventiva de Vorcaro após pedido apresentado pela Polícia Federal.
Inicialmente, o empresário foi encaminhado ao Complexo Penitenciário de Potim, em São Paulo. Posteriormente, foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília.
Em abril, o ministro autorizou nova mudança de local de custódia, permitindo que Vorcaro fosse levado para a Superintendência da Polícia Federal na capital federal. A medida foi interpretada como um movimento que poderia facilitar negociações envolvendo uma eventual colaboração premiada.
Operação avançou mesmo sem acordo
A primeira proposta de delação foi apresentada em maio, mas acabou rejeitada pelos investigadores. No dia seguinte, a Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Operação Compliance Zero, indicando que as investigações continuariam independentemente de um eventual acordo.
Essa etapa teve como um dos principais alvos o senador Ciro Nogueira. Segundo informações divulgadas à época, o parlamentar não havia sido citado por Vorcaro em sua proposta de colaboração.

















