Os números impressionam. Em pleno ano eleitoral, o governo Jerônimo Rodrigues (PT) programou R$ 3,007 bilhões para desembolsos em convênios em 2026, mais que o dobro dos R$ 1,422 bilhão previstos em 2025. Os dados são do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) e foram obtidos pela coluna.
Na prática, a previsão cresceu 111% em apenas um ano, com um acréscimo de quase R$ 1,6 bilhão. Os convênios são instrumentos por meio dos quais o Estado transfere recursos para prefeituras e organizações, destinados à execução de obras, serviços, projetos e outras ações.
Há, porém, uma diferença relevante entre o que foi programado e o que aparece como efetivamente liquidado nas contas. Dos R$ 3 bilhões previstos para este ano, R$ 673,3 milhões constavam como liquidados no período abrangido pelos dados do TCE, o equivalente a 22,4% do total. Em 2025, o montante liquidado chegou a R$ 709,1 milhões.
Mais dinheiro, menos convênios
Outro número ajuda a dimensionar o movimento. Embora a previsão financeira tenha mais que dobrado, a quantidade de convênios caiu. Foram 3.622 em 2025 e são 3.161 em 2026. Uma redução de aproximadamente 13%.
Ou seja: há menos convênios, mas muito mais dinheiro previsto para eles. O valor médio programado por convênio passou de cerca de R$ 393 mil em 2025 para R$ 951 mil neste ano. É um salto de aproximadamente 142%.
Anos eleitorais no topo
A série do TCE também revela uma coincidência que merece atenção: os dois maiores valores dos últimos cinco anos aparecem justamente em anos de eleição estadual.
Em 2022, último ano do governo Rui Costa (PT) e período em que Jerônimo Rodrigues foi eleito governador, a previsão para convênios chegou a R$ 2,346 bilhões, dos quais R$ 2,039 bilhões foram liquidados.
Depois disso, a previsão caiu sucessivamente: para R$ 1,889 bilhão em 2023, R$ 1,561 bilhão em 2024 e R$ 1,422 bilhão em 2025. Agora, em 2026, ano em que Jerônimo disputa a reeleição, o montante projetado salta para R$ 3,007 bilhões, o maior valor da série.














