A situação fiscal da Bahia apresentou deterioração durante o governo Jerônimo Rodrigues (PT), com aumento dos déficits e forte redução do caixa disponível do Estado. Os dados constam de levantamento publicado pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (14), que comparou os principais indicadores das contas públicas baianas nos governos de Rui Costa (PT) e Jerônimo.
Segundo a reportagem, entre 2019 e 2022, período correspondente ao segundo mandato de Rui Costa, o governo baiano acumulou, em valores corrigidos, superávit de R$ 8,5 bilhões na execução orçamentária. Já entre 2023 e 2026, período da administração de Jerônimo, a projeção aponta para déficit acumulado de R$ 7,3 bilhões.
A deterioração também aparece no resultado primário, indicador que mede a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida. Conforme os dados apresentados pela Folha, a gestão Jerônimo deve registrar déficit primário de R$ 3,3 bilhões. Apenas em 2026, último ano do atual mandato, a projeção é de um déficit orçamentário de R$ 5,72 bilhões.
Caixa livre também diminuiu
Outro indicador destacado pelo levantamento é o chamado caixa livre do Poder Executivo. Ao final de 2022, Rui Costa deixou R$ 6,6 bilhões de saldo bruto, em valores corrigidos. Após o desconto de R$ 1,3 bilhão referente a restos a pagar e outras obrigações, o caixa líquido disponível era de aproximadamente R$ 5,3 bilhões.
Em 2025, já durante o governo Jerônimo, o saldo bruto havia recuado para R$ 3,9 bilhões. Como o Estado possuía cerca de R$ 3 bilhões em restos a pagar e outras obrigações, o caixa líquido disponível ficou em aproximadamente R$ 900 milhões.
Mudança na meta fiscal
A reportagem também destaca a alteração promovida pelo governo Jerônimo na meta fiscal de 2025. A previsão inicial de déficit primário, que era de R$ 1,1 bilhão, foi elevada para R$ 4,2 bilhões.
A mudança recebeu críticas do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA). Na análise das contas estaduais, a conselheira Carolina Matos, relatora das contas do exercício anterior, destacou que a alteração da meta fiscal exige atenção por ocorrer ao final do exercício.
“Embora a obtenção de resultado primário deficitário não caracterize, por si só, falta de responsabilidade fiscal, a alteração da meta ao final do exercício exige análise própria”, afirmou a conselheira, ressaltando que as metas fiscais devem funcionar como instrumentos de planejamento, transparência e condução da política fiscal.
Os números colocam as contas públicas da Bahia entre os principais pontos de atenção da gestão Jerônimo Rodrigues, especialmente diante da combinação de déficits projetados, redução do caixa líquido e revisão das metas fiscais.














