líder do governo no Senado Jaques Wagner e os ministros da Casa Civil e da Secretaria de Comunicação Social, Rui Costa e Sidônio Palmeira, do PT da Bahia, voaram de carona no jatinho dos filhos do empresário Nestor Hermes, apontado como líder de um esquema de grilagem de terras pelo Ministério Público da Bahia.
Na noite de 18 de junho de 2025, quinta-feira, Wagner, Rui Costa, Sidônio e dois auxiliares embarcaram em um jatinho particular com destino a Salvador, segundo registros de movimentação de aeronaves da Inframérica, operadora aérea.
O avião pertence à DH Agropecuária Ltda, empresa controlada por Ana Paula Dupuy Hermes e Diego Dupuy Hermes, filhos do empresário Nestor Hermes. Nem eles nem o pai estavam presentes no voo.
Os auxiliares eram o assessor da Casa Civil Marcelo Emerenciano, ex-prefeito de Cocos (BA), cidade onde atua Nestor Hermes, e Tiago Cesar dos Santos, secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social.
Procurado, o ministro Sidônio Palmeira negou que soubesse de quem era a aeronave. “Eu vou geralmente pelo voo da Latam e tinha perdido o voo, descobri que tinha um voo mais tarde e me ofereceram carona. Perguntei se o Tiago podia ir.”
Ele disse que não se lembra quem o convidou para a viagem. “Não conheço (esse empresário). Nunca ouvi falar. Se ele for grileiro, sou contra grileiro.”
Wagner “confirma que já pegou carona no avião citado, mas desconhece qualquer fato que desabone a conduta do senhor Nestor Hermes”.
Rui Costa também foi procurado desde quinta-feira, por meio de sua assessoria, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
Suspeito de grilagem e violência
Em relatório do MP-BA, como mostrou a Folha, Nestor Hermes é apontado como suposto líder de uma organização criminosa especializada em grilagem de terras na região de Cocos, próxima à divisa da Bahia com Goiás.
Sua filha, Ana Paula, aparece como intermediária de transações financeiras para um ex-sargento da PM acusado de atuar em ações violentas de grilagem.
Hermes é acusado por outros fazendeiros em ações na Justiça de atuar com funcionários armados. Nos processos de reintegração de posse a que responde, há relatos de tomada de terras com invasões e ameaças.
O advogado Pablo Domingues, que representa Nestor Hermes, disse que “nem ele nem seus filhos são denunciados, réus, e nem respondem a qualquer processo criminal e nem são investigados por suposta organização criminosa ou grilagem de terras. O MP-BA já teve conhecimento dessas notícias falsas e não ofereceu denúncia contra ele.” Acrescentou também que as viagens “ocorreram de maneira absolutamente regular”.














