O PT se prepara para reduzir a fatia do fundo eleitoral a ser repassada aos filiados do partido que concorrerão aos cargos de deputado, senador e governador em todo país. O corte será feito para que a campanha do ex-presidente Lula ao Palácio do Planalto não seja atingida pela nova regra eleitoral que obriga a divisão proporcional da verba entre candidatos brancos e negros.
Em 2020, o Tribunal Superior Eleitoral definiu que a partir destas eleições a distribuição dos R$ 4,9 bilhões do fundo eleitoral e do tempo de propaganda no rádio e na TV tem de ser proporcional ao total de candidatos negros que os partidos apresentarem para a disputa.
Neste ano, o número de candidatos negros — soma de pretos e pardos — bateu recorde e superou pela primeira vez o número de candidatos brancos no país. No caso do PT, 47% dos candidatos se declaram negros, índice muito superior aos cerca de 20% registrados nas eleições de 2018.
O aumento expressivo obrigou a direção nacional a refazer, em cima da hora, o cálculo da divisão dos R$ 503 milhões do fundão a que o partido terá direito nestas eleições. A questão acabou por criar um embaraço na programação das candidaturas da sigla: embora a campanha tenha começado oficialmente na última terça-feira, até agora os petistas não sabem quanto de dinheiro do fundão terão para gastar, individualmente.
Caso haja dois turnos, o partido prevê gastar R$ 130 milhões na campanha de Lula. O limite máximo definido pelo TSE para as candidaturas presidenciais é de R$ 88 milhões no primeiro turno e R$ 44 milhões no segundo.
Para que a chapa presidencial não seja afetada pela nova regra de repartição proporcional dos recursos do fundo, a tendência é que outros candidatos brancos do partido sofram cortes expressivos na verba que lhes será destinada. Só assim será possível cumprir a nova exigência. “Vamos ter que refazer os cálculos para distribuir os recursos de forma precisa. Em tese, você reduz (o que estava previsto) proporcionalmente. Mas pode haver uma política compensatória se não diminuir o valor da campanha presidencial. A nossa prioridade é a eleição do Lula. Para ele não pode falar dinheiro”, disse à coluna o secretário de comunicação do PT, Jilmar Tatto.
Por Fábio Leite/Metrópoles














