Segundo Malu Gaspar, do jornal O Globo, a confirmação da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pela maioria da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) acelerou um movimento que já era esperado nos bastidores: a preparação de um acordo de delação premiada que pode ampliar significativamente o alcance do escândalo.
O novo advogado de Vorcaro, José de Oliveira Lima, procurou investigadores envolvidos no caso para sinalizar que seu cliente está disposto a fazer uma “delação séria” — expressão usada para indicar uma colaboração sem blindagens políticas ou seletividade.
Na prática, a mensagem transmitida à Polícia Federal e ao Supremo é clara: o banqueiro estaria disposto a revelar toda a estrutura de relações financeiras e políticas ligada ao Banco Master.
A movimentação ocorre em meio a uma intensa articulação política em Brasília. Nas últimas semanas, parlamentares do Centrão que mantiveram relações comerciais ou financeiras com o banqueiro tentaram atuar para que uma eventual delação fosse limitada ou seletiva, preservando determinados nomes.
Investigadores, no entanto, reagiram rapidamente e deixaram claro que não haverá espaço para acordos que excluam personagens relevantes.
Segundo fontes próximas à investigação, esse recado foi determinante para que a defesa de Vorcaro se antecipasse e buscasse formalizar a disposição de colaborar com as autoridades.
A tendência no momento é que o eventual acordo seja negociado de forma conjunta entre Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR), sob supervisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
A avaliação entre investigadores é de que a manutenção da prisão preventiva aumenta a pressão para uma colaboração mais ampla.
A maioria pela permanência de Vorcaro na prisão foi formada com os votos dos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O ministro Gilmar Mendes ainda não votou.
Já o ministro Dias Toffoli, que inicialmente relatava o caso, deixou o processo após a Polícia Federal apresentar ao Supremo um relatório apontando conexões entre ele e o banqueiro. Toffoli se declarou suspeito para atuar no processo.
Outro fator que aumenta a expectativa em torno da investigação é o fato de que o advogado de Vorcaro também representa João Carlos Mansur, dono da gestora Reag.
De acordo com a Polícia Federal, a empresa aparece como um dos principais canais de circulação dos recursos desviados do Banco Master, funcionando como peça central na estrutura financeira investigada.
Segundo as apurações:
- parte do dinheiro teria sido direcionada a contas pessoais do próprio Vorcaro e de sócios,
- outra parcela teria sido usada para pagamentos e operações envolvendo agentes políticos e autoridades públicas.
Por essa razão, investigadores e agentes do mercado financeiro passaram a trabalhar com a hipótese de uma delação conjunta entre Vorcaro e Mansur, o que ampliaria o alcance das revelações.
O caso Banco Master já provocou uma crise dentro do próprio Supremo Tribunal Federal, após o surgimento de questionamentos sobre relações entre integrantes da Corte e o banqueiro.
Com a possibilidade de delação premiada, cresce em Brasília a avaliação de que o escândalo pode atingir diferentes esferas de poder, envolvendo políticos, operadores financeiros e autoridades públicas que tiveram algum tipo de relação com o ecossistema de negócios criado pelo banqueiro.

















