Segundo o Estadão, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um rombo de R$ 105,5 bilhões entre o volume de despesas que precisa pagar em 2026 e o espaço financeiro efetivamente disponível para honrar esses compromissos. O déficit entre obrigações e limite de pagamento representa 31,9% de toda a despesa elegível e expõe o tamanho da pressão acumulada sobre o Orçamento federal.
Segundo nota técnica da Consultoria de Orçamentos do Senado, o governo tem R$ 330,9 bilhões em despesas não obrigatórias a quitar neste ano. Desse total, R$ 226,3 bilhões correspondem ao Orçamento de 2026 e cerca de R$ 104 bilhões são restos a pagar, ou seja, contas de anos anteriores que continuam penduradas e precisam disputar espaço com as despesas novas.
O problema é que o governo dispõe atualmente de apenas R$ 225,4 bilhões em limite de pagamento, já considerando o bloqueio em vigor. Na prática, faltam R$ 105,5 bilhões para acomodar tudo o que está programado e acumulado.
A diferença mostra que o aperto fiscal é muito maior do que o bloqueio oficial de R$ 17,9 bilhões anunciado para o cumprimento do arcabouço fiscal. Mesmo após a equipe econômica liberar R$ 5,7 bilhões na semana passada, a União continua sem espaço suficiente para pagar uma parcela expressiva dos compromissos já assumidos.
Contas antigas viraram um segundo Orçamento
Parte importante do problema está no crescimento dos chamados restos a pagar. O estoque dessas despesas passou de R$ 310,8 bilhões no início de 2025 para R$ 391,6 bilhões no começo de 2026.
Em apenas um ano, portanto, a fatura acumulada cresceu mais de R$ 80 bilhões.
Há dez anos, os restos a pagar somavam R$ 186,3 bilhões. O volume atual é mais que o dobro e passou a funcionar, na prática, como uma espécie de orçamento paralelo: contas antigas consomem o espaço destinado às despesas do ano corrente e comprimem cada vez mais a capacidade do governo de executar novas políticas.
Quando essas obrigações não são pagas, são novamente empurradas para o exercício seguinte, alimentando uma “bola de neve” fiscal.
Parte da conta pode ser empurrada para 2027
Se os limites financeiros não forem ampliados, uma fatia relevante das despesas programadas para 2026 poderá simplesmente não ser executada neste ano.
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