Lula voltou a falar sobre o uso de canetas emagrecedoras ao prometer, em ato de campanha, a distribuição gratuita do medicamento no SUS para pacientes com obesidade.
O que Lula já disse sobre o remédio
Em 13 de março, Lula criticou o uso do Ozempic como “presente” para quem não muda hábitos de alimentação e exercício. “Essa questão é delicada. A gente não pode tirar do médico a obrigação de orientar corretamente as pessoas. Primeiro: qualidade da comida. Nós somos obrigados a orientar as pessoas que elas têm de comer comida saudável. Você não pode dar de presente uma injeção para as pessoas emagrecerem se as pessoas querem comer quatro rabadas por dia, três feijoadas, comer um quilo de torresmo. Se o médico não orientar corretamente, nós vamos ter problema”.
Na mesma fala, o presidente disse que a caneta deve ser indicada quando houver necessidade de saúde e com orientação médica. “O remédio não é um prêmio para quem é relaxado. O remédio tem que ser dado para as pessoas que, por necessidade de saúde, não conseguem emagrecer. Mas o médico tem que dar a receita ensinando a andar. Por que as pessoas não andam meia hora todo dia? Por que não caminham? Por que não fazem ginástica? As pessoas têm que aprender a tirar a bunda da cadeira e andar um pouco.”
Hoje, em meio a campanha, Lula prometeu que canetas emagrecedoras serão distribuídas de graça pelo SUS para pacientes com obesidade. Ele não disse quando a iniciativa começará nem se seria ainda neste mandato ou em um eventual quarto mandato.
Presidente fez nova ressalva contra banalização do medicamento
Durante a agenda em Montes Claros (MG), Lula afirmou que a distribuição precisa seguir protocolos e passar por avaliação médica. “Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar, de graça, das pessoas que tenham obesidade, quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de se curar”, disse.
No discurso de campanha, Lula voltou a defender que médicos controlem a prescrição e que o tratamento não seja banalizado. “É preciso ter um acordo com os médicos, porque não pode ficar receitando caneta à torto e à direito. Ou seja, nós temos que fazer uma diferença. Tem gente que, para emagrecer, é preciso reeducá-lo do ponto de vista alimentar. Precisa voltar a aprender a comer coisas que façam bem para a saúde. Segundo, fazer um pouco de exercício. Fazer um pouco de exercício.”
O presidente disse que a distribuição sem critério seria “irresponsabilidade” e citou o risco de uso eleitoral do medicamento. “Os médicos também têm que contribuir, porque daqui a pouco vai ter gente distribuindo canetinha pra tudo, vai ter deputado tendo candidato jogando caneta pro povo. Isso é irresponsabilidade, porque a pessoa tem que saber se pode ou não tomar, se vai fazer bem pra saúde ou não. Se a pessoa for bacana andar jovem, saudável, vai andar, vai comprar pão a pé, vai namorar a pé, vai fazer tudo a pé. Não precisa ir de carro.”
Promessa ocorre em meio à campanha
O anúncio sobre as canetas foi feito horas depois de Lula divulgar um reajuste de 15% no Bolsa Família. O piso do programa passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, e o governo disse que o benefício médio vai subir de R$ 675 para R$ 777.
O governo informou que o reajuste do Bolsa Família vai custar R$ 5,8 bilhões neste ano, a partir da folha de outubro. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que há espaço fiscal para o aumento e que, em 2027, o custo deve ficar em torno de R$ 22 bilhões.














