A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União Brasil), é acusada por opositores de utilizar a estrutura da administração municipal para promover a candidatura de seu marido, Wagner Alves, a deputado estadual nas eleições deste ano.
As denúncias, encaminhadas de forma anônima ao portal A TARDE, apontam que Wagner teria ganhado espaço em eventos oficiais, inaugurações, atividades da Prefeitura e festas populares desde o início de 2026. Segundo os relatos, a estratégia teria como objetivo fortalecer a imagem do pré-candidato antes do período permitido pela legislação eleitoral.
Sheila, que está no segundo mandato à frente do município, teria contado com a participação de servidores ocupantes de cargos de confiança na divulgação da candidatura. Publicações em redes sociais com placas contendo o slogan “Tô com Wagner” foram citadas como parte da estratégia.
Oposição denuncia uso da máquina pública
O vereador Alexandre Xandó (PT), integrante da oposição na Câmara Municipal, afirmou ao A TARDE que a presença de Wagner em eventos da administração teria sido recorrente ao longo do primeiro semestre.
Segundo o parlamentar, o marido da prefeita esteve em destaque durante o São João e em diversas inaugurações e atividades promovidas pelo município.
“Isso é algo escancarado. Vimos no São João, durante a festa de São João, o marido da prefeita estava em cima do palco a todo instante”, afirmou Xandó.
O vereador também declarou que pessoas ligadas a cargos de confiança já utilizavam materiais de apoio à candidatura de Wagner antes do início oficial da campanha eleitoral. Ele citou ainda uma suposta apuração do Ministério Público sobre a prática.
Acusações de campanha antecipada
Outro episódio apontado na denúncia envolve a utilização de redes sociais por apoiadores de Wagner para divulgar o slogan de campanha antes do período eleitoral.
De acordo com a reportagem do A TARDE, publicada em agosto, o então pré-candidato também teria utilizado o número que seria destinado à sua candidatura em seu nome de usuário nas redes sociais antes de 16 de agosto, data indicada como início da propaganda eleitoral.
A oposição sustenta que a estratégia teria buscado ampliar a exposição de Wagner antes do período permitido pela legislação.
Secretaria de Saúde também é citada
A vereadora Lara Fernandes (Republicanos), que também é candidata a deputada estadual, apresentou outra acusação relacionada ao suposto favorecimento. Segundo ela, a Secretaria Municipal de Saúde teria sido utilizada em ações que contribuíram para fortalecer a candidatura de Wagner.
As acusações, contudo, são atribuídas aos opositores e ainda precisam ser confrontadas com a manifestação da prefeita Sheila Lemos e da própria Prefeitura de Vitória da Conquista.
Sheila chegou ao comando do município após a morte do então prefeito Herzem Gusmão, no início de 2021. Em 2024, foi reeleita no primeiro turno ao derrotar o então candidato petista Waldenor Pereira.
As denúncias ocorrem em meio à disputa eleitoral deste ano e colocam a administração municipal no centro de questionamentos sobre eventual uso da estrutura pública para favorecer uma candidatura.














