As mãos que afagam, acolhem e embelezam, são as mesmas que agora erguem fuzis. Embora as mulheres sempre tenham participado do crime, seus papéis tradicionais eram, muitas vezes, limitados e subordinados, como o de mensageiras ou cúmplices de parceiros. Hoje, a realidade é outra. Estão na artilharia, no planejamento estratégico e até no comando das organizações criminosas na Bahia.
E este protagonismo ficou evidente nos últimos meses, com a trajetória de Eweline Passos Rodrigues, de 28 anos, a ‘Diaba Loira’, desertora do Comando Vermelho (CV) e recém-filiada ao Terceiro Comando Puro (TCP) – ela morreu após o confronto entre as duas facções no último dia 15, no Rio de Janeiro. E aqui, este comportamento não é diferente. Se na capital fluminense existiu uma ‘Diaba’, em Salvador, há uma mulher à altura: a ‘Raposa do BDM’ ou simplesmente ‘Raposa’. Keila Luiza Silva Souza, assim como a criminosa carioca, fazia parte da artilharia e usava trajes do Exército Brasileiro para se camuflar na mata nos ataques contra os rivais, principalmente ao CV. Ela era “puxadora” dos bondes, ou seja, liderava os grupos de homens armados.
Com mais sorte que a ‘Diaba’, ‘Raposa’ sobreviveu ao confronto que ela mesma comandou contra o CV, em abril deste ano, na Rua do Queijo, no bairro de Periperi, Subúrbio Ferroviário. Logo após o confronto, quando fugia, acabou presa pela polícia. A criminosa é ligada ao traficante “Salut”, um dos chefes do crime na região, e teria participado da execução, envolvimento na morte do traficante Tom, antigo líder do BDM no bairro. Ela já ostentou nas redes sociais fotos e vídeos com fuzis.















