Há quase um mês que 100 estudantes residentes em São Sebastião do Passé, município da Região Metropolitana de Salvador (RMS), estão enfrentando dificuldades para continuar a frequentar as aulas. As crianças, matriculadas no Colégio da Polícia Militar (CPM) Francisco Pedro de Oliveira, deixaram de contar com os serviços do ônibus escolar mantido pela prefeitura. As informações são do BNews.
O colégio militar fica localizado na cidade vizinha de Candeias e o transporte fornecido pela prefeitura de São Sebastião do Passé era de fundamental importância para que os jovens realizassem o trajeto intermunicipal de forma segura e sem pesar no orçamento das famílias. A interrupção das viagens do ônibus escolar gerou revolta dos pais, que cobram pelo retorno do serviço.
Uso indevido de recursos da educação
Segundo relatos de alguns dos pais desses estudantes, o transporte das crianças deixou de ser realizado após a prefeitura ter recebido uma notificação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). De acordo com eles, a denúncia teria sido por conta de uso indevido de recursos da educação para outras finalidades.
Os familiares contaram que, além de levar as crianças para o colégio, o ônibus escolar também era utilizado para diversas outras coisas, como transportar pessoas para as feiras e era usado até mesmo para funerais. Além disso, também foi denunciada a superlotação do veículo, que em diversas ocasiões transportava muito mais pessoas que o limite seguro da capacidade da condução.
A denúncia teria acontecido para corrigir as irregularidades. No entanto, segundo o pai de uma das alunas, o serviço não deveria ter sido interrompido no que se refere às crianças. “Tem que corrigir o transporte, superlotação, transportes inadequados e outras questões, mas não tem nada sobre estar levando as crianças para a escola. O ônibus foi feito para levar os alunos para a escola mesmo”, comentou.
Altos custos e falta de segurança
Com a suspensão do ônibus escolar pela prefeitura de São Sebastião do Passé, as famílias começaram a enviar as crianças para as aulas através de transportes alternativos, como vans, ônibus intermunicipais e carros particulares. As opções, no entanto, não seriam adequadas. De acordo com os pais, o uso de outros meios gera um custo elevado e expõe as crianças a diversos riscos.
Conforme explicou uma mãe, dividindo o transporte com pessoas desconhecidas, sem que estejam acompanhadas por um adulto responsável, as crianças ficam muito vulneráveis. “A gente fica com receio, sem saber o que pode acontecer”, desabafou. Ela também falou sobre o valor do transporte que, em média, fica em R$15 por dia para cada criança. “Tem família que não tem condição de pagar. Tem família com dois filhos, pagando R$30 por dia. Fica pesado”, lamentou ela.
Posicionamento da prefeitura
Procurada pela redação do BNews, a Prefeitura Municipal de São Sebastião do Passé, por meio da Secretaria Municipal de Educação, confirmou, através de nota que, de fato, o serviço existia e atendia a 100 alunos sebastianenses que estudam no Colégio da Polícia Militar em Candeias.
A prefeitura também informou que “a suspensão foi realizada, de forma preventiva, por conta de uma notificação enviada através do Ministério Público”. Por fim, a prefeitura afirmou que “já está realizando a formalização de um convênio com o CPM para que seja realizada a retomada do fornecimento do transporte”.














