Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou recursos originalmente destinados a
públicas para cobrir o déficit de empresas estatais federais. Segundo o relatório, cerca de 91% dos R$ 3,29 bilhões contingenciados até o quinto bimestre de 2025 foram direcionados para compensar o rombo dessas empresas.
De acordo com o TCU, a medida obrigou ministérios e outros órgãos federais a revisarem seus planejamentos orçamentários para acomodar a necessidade de recursos das estatais. O tribunal não detalhou quais áreas tiveram verbas reduzidas.
A auditoria também destaca uma mudança no desempenho financeiro das empresas estatais não dependentes. Segundo dados do Banco Central citados pelo TCU, essas empresas registraram superávits durante o governo Jair Bolsonaro, acumulando resultado positivo de R$ 17,46 bilhões entre 2019 e 2022.
No atual governo, porém, o cenário se inverteu. As estatais passaram a apresentar déficits sucessivos: R$ 656 milhões em 2023, R$ 6,73 bilhões em 2024, R$ 5,13 bilhões em 2025 e R$ 5,96 bilhões apenas nos cinco primeiros meses de 2026. O prejuízo acumulado desde o início da atual gestão soma R$ 18,48 bilhões, conforme os dados apresentados no relatório.
O ponto que mais preocupa o Tribunal de Contas da União é que o cumprimento formal da meta de déficit das estatais ocorreu, segundo a auditoria, por fatores considerados circunstanciais. Entre eles está o atraso na contratação de um empréstimo pelos Correios, que adiou despesas e melhorou temporariamente os números consolidados do setor.
Procurado, o governo federal, por meio da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, informou apenas que mantém diálogo permanente com o TCU sobre o tema.















